A Aldeia Canoanã, uma das maiores comunidades do povo Javaé na Ilha do Bananal, foi palco de um encontro inédito que marcou um novo capítulo na organização das mulheres indígenas do Tocantins. A primeira Assembleia das Mulheres Indígenas do Povo Iny-Javaé reuniu lideranças tradicionais, representantes de instituições públicas e até uma autoridade diplomática internacional para discutir direitos, identidade cultural e o fortalecimento da participação feminina dentro das comunidades.
Promovida pela Organização das Mulheres Indígenas do Povo Iny-Javaé, a assembleia criou um espaço de escuta e construção coletiva voltado ao enfrentamento da violência contra a mulher indígena, à ampliação do acesso às políticas públicas e à valorização dos saberes ancestrais.
Entre os principais temas debatidos esteve a criação de uma associação de mulheres Iny-Javaé, iniciativa que busca fortalecer a autonomia feminina e ampliar a representatividade das indígenas nos processos de decisão dentro e fora das aldeias.

A programação foi marcada por rodas de conversa, debates e manifestações culturais que evidenciaram a riqueza da tradição Iny. Danças, cantos, artesanato e pratos típicos transformaram o encontro em uma celebração da identidade do povo Javaé, promovendo intercâmbio cultural entre participantes de diferentes regiões e instituições.
Para as lideranças presentes, a assembleia representa um passo importante no reconhecimento do papel das mulheres indígenas como guardiãs da memória, da língua e das tradições transmitidas entre gerações.

A presença da embaixadora da República Tcheca no Brasil, Pavla Havrlíková, trouxe dimensão internacional ao evento. Durante a visita, a diplomata destacou a importância de conhecer de perto as comunidades tradicionais brasileiras e compreender a diversidade cultural existente nos territórios indígenas.
A passagem da representante europeia pelo Tocantins também teve como objetivo fortalecer o diálogo cultural e institucional entre a República Tcheca e o estado, destacando a relevância dos povos originários na construção da identidade brasileira.

Com cerca de 180 famílias, a Aldeia Canoanã é considerada uma das principais comunidades do povo Javaé. Assim como os Karajá, os Javaé integram o povo Iny e preservam a língua Inyrybè, além de práticas culturais que resistem ao tempo e seguem vivas no cotidiano das aldeias.
Mais do que um encontro político, a primeira Assembleia das Mulheres Indígenas do Povo Iny-Javaé consolidou um espaço de protagonismo feminino e reafirmou a força das mulheres indígenas na preservação da cultura, na defesa de direitos e na construção de novos caminhos para as futuras gerações.


